28 junho 2009

#CHUPA Brazil 3 x 2 USA


#CHUPA Brazil 3 x 2 USA
Originally uploaded by Julio Meliani L.A.

Mais de 10.000 visualizacoes ate o momento! INACREDITAVEL! #CHUPA americans!
Uploaded by Julio Meliani L.A.(http://www.flickr.com/photos/jumeliani/) on 28 Jun 09, 2.12PM PDT.

25 junho 2009

Michael Jackson



Originally uploaded by la picarita

1958-2009

1827 Days...


1827 Days...
Originally uploaded by _ Krystian PHOTOSynthesis (wild-thriving) _

Minha mente "paparazzi" que ler estes cadernos...

Dance like there is no tomorrow III


Dance like there is no tomorrow III
Originally uploaded by flavita.valsani

Queria ter os olhos de @flavita_v.
Sem palavras, clica na foto e se delicie com outros trabalhos geniais.

21 junho 2009

José Saramago blogueiro


José Saramago
Originally uploaded by Miguel A. Lopes "Migufu"

O livro de Saramago vetado na Itália (humm... liberdade... democracia) que reuni os textos publicados no seu blog.
Veja esse post, Saramago e a coisa Berlusconi -- http://bit.ly/66Dot

TRACY SMITH DESIGN - Mini postcard - businesscard


TRACY SMITH DESIGN
Originally uploaded by dailypoetics

miniature postcard design by tracy smith

Business cards


Cartões
Originally uploaded by caramelodrama

Muito criativo! Gostei.

Cachorrada permitida


rinha 2
Originally uploaded by alicelara

@doisespressos está divulgando a petição online pela manutenção da do Art. 32 da Lei 9605/1998 que proíbe maus-tratos contra animais silvestres, domésticos ou domesticados.
Existe um PL que pretende alterar este artigo, possibilitando “considerar lícita a conduta da pessoa que pratica abuso, maus-tratos e ato de ferir ou mutilar animais quando tal comportamento for destinado à atividade científica, cultural recreativa ou desportiva”.
Leia o artigo completo em http://doisespressos.wordpress.com/2009/05/02/chutando-cachorro-vivo-pl-454898/ e assine a petição online em http://migre.me/Luh

20 junho 2009

De Tenório a Clodovil


Congresso Nacional
Originally uploaded by Marcelo @morim

Observações idôneas de um colecionador de deputados

O primeiro parlamento a gente nunca esquece. Eu, pelo menos, nunca esqueci. Por sorte ou azar, foi o Congresso Nacional - que, para ser franco, me pareceu então uma verdadeira esculhambação.

Na época, eu era estudante de jornalismo e a 1ª Secretaria da Câmara dos Deputados promovia um programa voltado para mostrar a universitários de todo o país como funciona o parlamento.

Funcionava mal, diga-se de passagem. Era um Congresso de brincadeirinha, em pleno regime militar, início dos anos 70. Com as exceções que caracterizam as regras, tratava-se de um Poder Legislativo que não legislava, não fiscalizava e que mais contribuía, na verdade, para fantasiar de democracia uma ditadura de cara feia e sombria.

A primeira imagem que tive da atividade parlamentar brasileira foi desalentadora. Tenho até hoje na memória: no plenário do Senado, pouco mais de vinte senadores, uns lendo jornais, outros batendo papo e pelo menos dois cochilando sem maiores preocupações, enquanto o veterano senador Nélson Carneiro se esgoelava na tribuna, num inflamado discurso em defesa do divórcio. Parecia que somente nós, estudantes nas galerias, prestávamos atenção ao palavreado do velho parlamentar.

E a sorte dele é que naquele tempo ainda não existia celular.

Fiquei tão impressionado com aquilo que, a partir dali, passei a me interessar pelo funcionamento dos parlamentos de um modo geral. Será que era assim em todo o mundo? Depois, trabalhando com jornalismo político por muitos anos, tive oportunidade de confirmar muitas das minhas primeiras impressões,rever outras e, principalmente, constatar que sempre é melhor ter um parlamento, por pior que seja, do que não ter nenhum.

Depois de muito tempo afastado do tema, volto a abordá-lo por um motivo inusitado. Há alguns meses, fui apresentado por amigos, num restaurante, a um curioso personagem: o pensador mundano franco-libanês Albernaz Abud, que, entre outras revelações surpreendentes, nos contou que colecionava deputados. Todos na mesa ficamos intrigados. Como se coleciona deputados?

Não apenas deputados, alguns senadores também e até candidatos mais peculiares que não lograram se eleger – disse Albernaz, explicando que sempre fora fascinado por parlamentares e iniciara sua coleção com a deputada italiana Cicciolina, famosa atriz pornô cujo desempenho nas telas, aliás, sempre o agradara. Ele disse que logo percebeu as imensas potencialidades que a política brasileira descortinava para o enriquecimento da sua coleção. A tal ponto que, há duas eleições consecutivas, ele vem acompanhar as campanhas no Brasil - a última das quais aqui na Bahia, não se sabe por que cargas d’água.

Como observador especializado, Albernaz Abud levou para sua coleção dois candidatos baianos. O primeiro foi o pitoresco Bira do Jegue, que se candidata em toda eleição e nunca se elege, nem ele nem o jegue. Lembrou-lhe um candidato de sua terra, o Mohamed do Camelo Manco, que chegou a exercer dois mandatos como vereador em Beirute. O outro candidato ele chama de Carneiro e é definido no seu catálogo de colecionador como um “surfista de liminares, político que construiu sua carreira despachando mandados de segurança a torto e a direito e terminou se tornando um dos mais atrapalhados alcaides da história do seu triste burgo, capaz de comprar trens maiores do que os túneis por onde deveriam passar”.

Cada vez mais fascinados por aquela excêntrica figura, nem mais nos surpreendemos quando o libanês radicado na França puxou da algibeira um caderno de anotações, em árabe, onde constavam alguns verbetes de parlamentares brasileiros de sua coleção.

Ele queria conferir se as informações estavam corretas. E leu o que se segue:

Tenório Cavalcante – Conhecido como “o homem da capa preta”. Polêmico político da região de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, uma das áreas mais violentas do Brasil. Sua marca registrada era a Metralhadora Lurdinha, que ele carregava no ombro escondida sob sua indefe ctível capa preta e ia com ela a todas as sessões da Câmara, sendo mais assídua do que a maioria dos deputados. Tenório tinha um grupo armado de mais de 40 capangas.

Arnon de Melo – Senador alagoano conhecido por sua péssima pontaria. Ia armado para o plenário do Senado e, certo dia, deu três tiros a queima roupa no seu conterrâneo e adversário político Góes Monteiro. Errou os três, mas acertou e matou o senador acreano José Khairallah, que não tinha nada a ver com o peixe. Arnon nunca foi condenado e continuou senador.

Dizem no Brasil que o seu maior crime, contudo, foi ajudar a botar no mundo o filho Fernando Collor, ex-presidente brasileiro de triste memória, hoje também senador.

João Alves - Anão do orçamento, espécie endêmica do parlamento brasileiro, infelizmente não ameaçada de extinção. Membro da quadrilha de parlamentares que se dedicava a embolsar recursos do orçamento da União, renunciou para não ter seu mandato cassado. Numa inesquecível entrevista coletiva, ele explicou aos brasileiros que era um homem de muita sorte, tinha ganhado 221 vezes na loteria e por isso ficara rico.

Mário Juruna – Cacique Xavante que foi o primeiro – e até agora único – representante indígena no parlamento brasileiro.Recusou-se a usar terno e gravata, como exige o protocolo da Câmara, e quase perdeu o mandato por dizer que “todo ministro é ladrão”. Teve sua imagem desmoralizada quando confessou ter recebido dinheiro para votar em Paulo Maluf no colégio eleitoral, em 1984. Pressionado por seus colegas de partido, acabou devolvendo o dinheiro e votando em Tancredo Neves. Sua arma no mundo dos brancos foi o gravador. “Eu comprei gravador porque branco faz muita promessa, depois esquece tudo”, costumava explicar o deputado.

Ângela Guadagnim- Gordinha apetitosa (nota do editor: para o paladar muçulmano de Albernaz, é claro), que se notabilizou pelos seus excelentes dotes de dançarina, sempre exibidos para comemorar a absolvição de correligionários políticos acusados de picaretagem. Sua principal performance ficou conhecida como dança da pizza. Deve ser o que na política libanesa é conhecido como dança do kibe.

Paulo Maluf– Responde a processos de corrupção diversos desde a mais tenra idade. Jáusou verbas públicas para presentear jogadores de futebol com fuscas e conseguiu a proeza, como prefeito de São Paulo, de construir um túnel cujo quilômetro linear saiu mais caro do que o do Eurotúnel, que passa embaixo do Canal da Mancha. Contra todas as evidências, nunca admitiu seu excessivo apreço pelo dinheiro público.

Clodovil Hernandez – Jóia da coleção. Espécie de Cicciolino do parlamento brasileiro. Figura exótica, costureiro de profissão, representa não se sabe exatamente o que. Destaque absoluto no Congresso no que concerne a alegorias e adereços, tem uma certa birra com o gênero feminino.

Chamou uma colega deputada de feia, embora ele mesmo, na opinião de alguns amigos de Beirute que viram suas fotos, ande parecendo mais uma odalisca decadente e caquética.

Assim falou Albernaz Abud. E nada mais disse, nem lhe foi perguntado.

-- Renato Pinheiro

(R)Evolução



Originally uploaded by doors of lens

Exposição "(R)Evolução de Darwin" - Museu de Ciências e Tecnologia da PUCRS. Porto Alegre, 02/04/09.

RESENHA: A constitucionalização do ordenamento jurídico brasileiro


Humberto Ávila [1]
Originally uploaded by doors of lens

ÁVILA, Humberto B. . "Neoconstitucionalismo": entre a "Ciência do Direito" e o "Direito da Ciência". Revista Eletrônica de Direito do Estado (REDE), Salvador, Instituto Brasileiro de Direito Público, n. 17, janeiro/fevereiro/março, 2009.

Humberto Bergmann ÁVILA1 possui graduação em Ciências Jurídicas e Sociais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1991) , especialização em Fundamentos de Direito Público e Privado Alemão pela Universidade de Munique (1998) , especialização em Certificado de Estudos Em Metodologia do Direito pela Universidade de Munique (1998) , doutorado em Direito Tributário pela Universidade de Munique (2002) , pós-doutorado pela Harvard University (2006) e pós-doutorado pela University of Heidelberg (2008) . Tem experiência na área de Direito , com ênfase em Direito Público. Atuando principalmente nos seguintes temas: Direito Constitucional, Direito Tributario, Princípios Jurídicos, Princípio da Igualdade. Sua obra mais importante é Teoria dos Princípios - da definição à aplicação dos princípios jurídicos (São Paulo, 2003).

HUMBERTO ÁVILA analisa os fundamentos teóricos do neoconstitucionalismo e aponta suas implicações no mundo real. E aponta o perigo que em adotar a Constituição como fonte normativa baseado nos seus princípios. Segundo o autor, a Constituição, isoladamente, não tem como ter força normativa. Mas a aplicação dos seus princípios deve ser objetivo a ser perseguido pelos juristas, dentro dos limites que sustentam o Estado Democrático de Direito.

Devido a natureza específica deste artigo, para sua leitura e entendimento é necessário se ter um algum conhecimento da Teoria do Estado.

Na vigência da Constituição Federal de 1988, o autor diz que o fato mais marcante deste período é movimento denominado neoconstitucionalismo. Um movimento de teorização e aplicação do Direito Constitucional. Rico em diversidade teórica que pretende ter os seguintes efeitos no ordenamento jurídico: “princípios em vez de regras”; “ponderação no lugar de subsunção”; “justiça particular em vez de justiça geral (ou mais análise individual e concreta do que geral e abstrata)”; “Poder Judiciário em vez dos Poderes Legislativo ou Executivo”; “Constituição em substituição à lei (ou maior, ou direta, aplicação da Constituição em vez da lei)”.

As mudanças que o neoconstitucionalismo propõe, seriam a aplicação dos princípios constitucionais pela ponderação, em vez da subsunção; a ponderação exigiria uma análise mais individual e concreta do que geral e abstrata; a atividade de ponderação e o exame individual e concreto demandariam uma participação maior em relação aos demais poderes do Estado; o ativismo do Poder Judiciário e a importância dos princípios radicados na Constituição levariam a uma aplicação centrada na Constituição em vez de baseada na legislação.

Existe uma dificuldade em qualificar o modelo normativo adotado pela Constituição -- “principiológica” ou “regulatória”? O autor conclui, pela forma “analítica” que caracteriza a CF, que o modelo normativo predominante é regulatório. Feitas essas observações, então, “não se pode categoricamente afirmar que os princípios são quantitativa ou qualitativamente mais expressivos que as regras no ordenamento jurídico brasileiro”. O que existe é “um ordenamento composto de regras e de princípios, com funções eficaciais complementares e diferentes”. Define-se que, deste modo, o modelo normativo pretendido -- “da regra ao princípio” -- e o metodológico -- “da subsunção à ponderação” -- não tem amparo no nosso ordenamento constitucional.

Considerando que “os princípios devem ser usados direta ou indiretamente, sempre que eles possam servir de fundamento para uma dada decisão”, as demais normas terão “papel secundário em face dos princípios constitucionais”. Então, “o paradigma da ponderação” conduz-nos a “uma constitucionalização da ordem jurídica”.

“A Constituição Brasileira de 1988, além de estabelecer que nada poderá ser exigido senão em virtude de lei e de prever que todo poder emana do povo, que o exercerá por meio de representantes eleitos ou diretamente”. Então, a adoção dos princípios constitucionais em substituição as regras infraconstitucionais agride a “função legislativa” e o “papel democrático do Poder Legislativo”.

“A interpretação centrada nos princípios constitucionais culmina com a violação de três princípios constitucionais fundamentais — os princípios democrático, da legalidade e da separação dos Poderes”.

“Aceita a tese de que os princípios constitucionais devem ser ponderados sempre que puderem servir de fundamento para uma dada decisão, (...) perder-se-á parte-se substancial da normatividade do Direito”.

“Se quem faz a ponderação é o Poder Judiciário, sem critérios antecipados e objetivos para sua execução, aquilo que o destinatário deveria saber antes ele só ficará sabendo depois, o que leva à supressão do caráter orientador do Direito e da função legislativa. O aplicador da norma, que deveria reconstruir um sentido normativo anterior e exterior, acaba por construí-lo, decidindo, ele próprio, o que a Constituição atribuiu ao Poder Legislativo definir”.

“Uma ponderação, orientada por critérios objetivos prévios e que harmonize a divisão de competências com os princípios fundamentais, num sistema de separação de Poderes, não leva inevitavelmente a esses problemas”. Pois, sem critério “a ponderação não passa de uma técnica, não jurídica, que explica tudo, mas não orienta nada”.

“A primazia da justiça particular sobre a geral parte do pressuposto de que o exame das particularidades do caso é o melhor caminho para a solução justa”. Mas, para eliminar conflitos efetivamente, “as regras devem prescrever, de modo inteligível e relativamente incontroverso, uma dada resposta para uma determinada gama de circunstâncias”.

“A justiça do mundo real, não do ideal, exige a existência de regras. (...) Num Estado de Direito, vigente numa sociedade complexa e plural, deve haver regras gerais destinadas a estabilizar conflitos morais e reduzir a incerteza e a arbitrariedade decorrente da sua inexistência ou desconsideração, cabendo a sua edição ao Poder Legislativo e a sua aplicação, ao Judiciário. Independente disso, há, ainda, argumentos em favor da função legislativa que não podem ser considerados”.

“Num ordenamento constitucional que privilegia a participação democrática e reserva ao Poder Legislativo a competência para regular, por lei, um sem número de matérias, não se afigura adequado sustentar se passou do Poder Legislativo para o Poder Judiciário, nem que se deve passar ou é necessariamente bom que se passe de um para outro”.

Essa aplicação do Direito Constitucional, pouco importa a sua denominação, baseado num modelo normativo (“da regra ao princípio”), metodológico (“da subsunção à ponderação”), axiológico (“da justiça geral à justiça particular”) e organizacional (“do Poder Legislativo ao Poder Judiciário”) deve ser revisto.

Para o autor, defender o neoconstitucionalismo, “é cair numa invencível contradição performática: é defender a primazia da Constituição, violando-a”.

-- Francisco Mendes, acadêmico de direito na FABAC(Maurício de Nassau)

Disponível em . Acessado em 28 de maio de 2009.1

Um toque de Midas para ajudar os pedintes


October 2, 2008
Originally uploaded by Jizzon

Gay Talese

Dia desses, ao passar em frente ao condomínio de Bernard L. Madoff para descontar um cheque na minha agência da Madison com a 63, fui saudado por um pedinte de meia-idade. Sentado na calçada, escorado na fachada de tijolos do banco, ele brandia uma caneca de plástico na minha direção.

Dei-lhe alguns dólares e perguntei: “Como a economia está afetando você?” “Não mudou nada”, disse ele. “Ruim como sempre”.

Entrei no banco para completar a transação e quando voltei ele havia ido embora. Mas a caminho do centro, depois da Barney's, encontrei outro pedinte, com um cartaz que dizia: “Sem-Teto. Ajude Por Favor.”

Deixei um dólar em sua caixa, mas na mesma hora pensei que poderia ser uma boa atualizar o cartaz – ele precisava de um toque de estímulo, palavra que vem dominando as manchetes. “Você
provavelmente ouviu falar sobre a crise financeira, certo?” Ele
confirmou. Era mais jovem que o outro sujeito, e parecia me dedicar toda sua atenção. “Talvez você recebesse mais atenção e as pessoas doassem mais dinheiro se você mudasse algumas palavras no seu cartaz...”

Parei de falar e vasculhei o bolso em busca de um dos pedaços de
cartolina de lavanderia nos quais faço anotações durante entrevistas.

Em um desses pedaços, escrevi: “Apoie o Plano de Estímulo do presidente Obama... Comece agora mesmo... pela base... Obrigado.”

Entreguei-lhe o cartão. Ele disse que ia passar as palavras para o cartaz e deixá-lo em exposição no dia seguinte.

Mais tarde, voltei para casa e escrevi as palavras em letras grandes no meu computador. Depois de imprimir duas dúzias de cópias, colei cada uma das páginas em pedaços separados da cartolina (35 por 20 centímetros) que vem junto com minhas camisas da lavanderia.

No dia seguinte, no domingo, e também durante o feriado de
segunda-feira, distribuí as mensagens para pessoas que vieram me
pedir dinheiro, explicando-lhes por que eu achava que a economia
seria estimulada por meus cartazes. Apontei também que os grandes banqueiros e líderes industriais que o governo estava resgatando possuíam lobistas e empresas de relações públicas para representá-los; mas pessoas em busca de esmolas pela rua precisavam realçar a premência de suas necessidades, relacionando-as às manchetes e prioridades do presidente Obama. Estímulo, estímulo!!

Anotei os nomes e telefones de vários dos meus clientes nas ruas.
Todos disseram que iam usar os cartazes que eu fiz. Na segunda à
noite, telefonei para alguns deles para perguntar se a mensagem tinha surtido algum efeito.

A maioria disse que era muito cedo para dizer. Mas todos estavam
esperançosos. Kimmy Roberts, que havia passado a segunda-feira na Quinta Avenida, próximo à 58, disse que era “uma abordagem eficaz”.

Outro, chamado Byron Breeze, que ficou na Madison com a 60 em sua cadeira de rodas, com o cartaz no colo, disse que vários pedestres leram o aviso e pararam para discutir o assunto com ele. E, mais importante, acrescentou: “Acho que ontem consegui uns 10 ou 20 dólares a mais que antes. Talvez o cartaz já esteja funcionando”.

Gay Talese, autor de livros de não-ficção e de um vasto número de artigos para revistas, foi repórter do The New York Times de 1956 a 1965.

Fausto Machado Tiemann – Tradução e Revisão de Texto – fmtiemann@gmail.com
(Texto original em inglês publicado no blog City Room, do New York Times -- http://cityroom.blogs.nytimes.com/2009/02/17/when-panhandlers-need-a-wordsmiths-touch/)

Richard Dawkins na FLIP 2009


The New Atheists @ Creepy Library
Originally uploaded by ~C4Chaos

O biólogo inglês Richard Dawkins (1941, Nairóbi, Quênia) não é próximo de Charles Darwin apenas no sobrenome. É considerado o principal evolucionista em atividade e tem como grande contribuição o esforço contínuo para tornar a teoria de Darwin compreensível ao grande público. Enérgico defensor do ceticismo e do ateísmo, costuma travar polêmicos debates com representantes da comunidade religiosa. Dawkins escreveu O gene egoísta (1976) e O fenótipo estendido (1982), o best-seller Deus, um delírio (2006), entre outros.
-- http://www.flip.org.br/

O futuro do jornalismo


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Originally uploaded by Literacy Partners

"A crise dos jornais americanos não é uma crise do jornalismo americano. Moro em Nova York há cinquenta anos. Já vi muitos jornais fechar as portas. Nos anos 60, acabou o The New York Herald Tribune, que era um grande jornal, mas grande mesmo. Antes, fechou o tabloide New York Daily Mirror. Eu cresci lendo revistas como Life, Saturday Evening Post, Look, e nenhuma delas existe mais. Em Nova York havia quinze jornais. Quando cheguei aqui, em 1959, eram sete. As pessoas esquecem que os jornais vão e vêm. O jornalismo, não. As pessoas vão sempre precisar de notícia e informação. Sem informação não se administra um negócio, não se vende ingresso para o teatro, não se divulga uma política externa. Todos os dias, nos jornais das cidades grandes ou pequenas, repórteres vão à rua para fazer o que não é feito por mais ninguém. De todas as profissões, se um jovem estiver interessado em honestidade e não estiver interessado em ganhar muito dinheiro, eu aconselharia o jornalismo, que lida com a verdade e tenta disseminar a verdade. Há mentirosos em todas as profissões, inclusive no jornalismo, mas nós não os protegemos. Os militares acobertam mentirosos. Os políticos, os partidos, o governo, todos fazem isso. O escândalo do Watergate é uma crônica de acobertamento. Os jornalistas não agem assim, não toleram o mentiroso entre eles. Acho uma profissão honrosa, honesta. Tenho orgulho de ser jornalista."
-- Gay Talese

O politicamente correto


In the Wake of Jayson Blair: A Conversation with The New York Times Public Editor Daniel Okrent
Originally uploaded by Craig Nickels

"O politicamente correto é um veneno para o jornalismo. Em 2006, aconteceu um caso exemplar. Na Carolina do Norte, uma mulher foi contratada para dançar numa festa dos jogadores do time de lacrosse da Universidade Duke e disse que bebeu demais e acabou estuprada por três jogadores. O caso ganhou as primeiras páginas. Os jornais nunca publicaram o nome da moça, e divulgaram fartamente o nome dos rapazes acusados do estupro. Ela era negra. Eles eram brancos. No fim, descobriu-se que ela era uma mentirosa. Os jornais, o Times inclusive, protegeram a mentirosa e expuseram os inocentes. Por que o Times fez isso? Porque queria ser sensível à situação de uma afro-americana. Jayson Blair, que publicou várias mentiras como repórter do Times, é outro exemplo. Ele foi contratado porque o jornal queria ter mais representantes das minorias, e Blair era negro. Foi contratado por Gerald Boyd, o primeiro negro a chefiar a redação do Times. Acima dele estava apenas o diretor de redação, Howell Raines, um branco do sul. Boyd e Raines queriam ser politicamente corretos e contrataram Blair porque era negro. E, porque era negro, faziam vistas grossas para os seus erros, deixavam passar, até que a coisa estourou. Só foram tolerantes com os erros de Blair porque queriam ser politicamente corretos. No jornalismo, isso não funciona. O jornalismo tem de ser vigilante, justo, realista, disciplinado, e não se preocupar em ser ou parecer politicamente correto."
-- Gay Talese

Os males da tecnologia


Google logo render - Mark Knol
Originally uploaded by mark knol

"Com as novas tecnologias, e sobretudo com a criação da internet, o público hoje é informado de modo mais estreito, mais direcionado. Na internet, os jovens se informam de modo muito objetivo, no mau sentido. Eles têm uma pergunta na cabeça, vão ao Google, pedem a resposta, e pronto. Estão informados sobre o que queriam, mas é um modo linear de pensar e ser informado, que não dá chance ao acaso. Quem está interessado em saber sobre o presidente do Paquistão vai à internet, fica sabendo que ele andou visitando Washington, quem é o seu principal oponente, essas coisas. Quem lê um jornal impresso lê sobre tudo isso e depois, ao virar a página, lê sobre a mulher do Silvio Berlusconi, depois sobre as chinesas que perderam seus filhos naquele terremoto, depois sobre o desastre do Air France que saiu do Rio para Paris. Enfim, lê histórias que não procurou e, por isso, acaba adquirindo um sentido mais amplo do mundo. Claro que você também pode fazer isso na internet, mas o apelo da internet é o oposto. É oferecer informação rápida. A internet é o fast-food da informação. É feita para quem quer atalho, poupar tempo, conclusões rápidas, prontas e empacotadas. Quem se informa pela internet, de modo assim estreito e limitado, pode ser muito bem-sucedido, ganhar muito dinheiro, mas não terá uma visão ampla do mundo. Para piorar, surgiram esses blogs com blogueiros desqualificados, que apenas divulgam fofoca. São como uma torcida num jogo de futebol que fica o tempo todo gritando para os jogadores, para o juiz. É gente que não apura nada, só faz barulho."
-- Gay Talese

A imprensa e o governo


News Museum - Washington DC
Originally uploaded by nish.theone

"O governo usa a imprensa mais do que a imprensa usa o governo. Hoje, devemos ter uns 10 000 repórteres em Washington. Há uma civilização inteira de jornalistas em Washington. Se eu dirigisse um jornal, eliminaria de 50% a 60% da sucursal de Washington e mandaria os repórteres para outros lugares do país, para Califórnia, Nebraska, Flórida. Sabe o que aconteceria? Estaríamos tirando a ênfase sobre o governo e neutralizando sua capacidade de controlar o discurso político. Em vez de ficarmos segurando o microfone para o governo falar, estaríamos trazendo notícia sobre como as decisões do governo são percebidas e como são sentidas longe de Washington. Isso é vida real. É cobrir os efeitos das medidas do governo sobre a economia, a gripe suína, seja o que for, mas longe do governo e perto da sociedade. A multidão em Washington decorre do fato de que as pessoas adoram o poder e ficaram preguiçosas. Jornalista ama o poder, ama lidar com o poder."
-- Gay Talese

A lorota do Iraque


Babylon, Ancient Iraq
Originally uploaded by Wonders _

"A imprensa americana caiu na lorota de que havia armas de destruição em massa no Iraque por algumas razões. Primeira: os atentados de 11 de setembro criaram um clima de espanto. Uma coisa é falar de guerra lá longe, na Normandia, no norte da África, falar do general Erwin Rommel, de Mussolini, Hitler. Outra é sofrer hostilidades de forças estrangeiras dentro de Nova York. Era inacreditável, e George W. Bush capitalizou isso. Ganhou enorme poder. Era o nosso defensor contra futuros ataques e o árbitro sobre o que era bom para nós. Fomos induzidos a acreditar que o governo tinha informações que nem o público nem o Congresso conheciam. A imprensa, muito crédula e um pouco ingênua, entrou no clima. Segunda razão: havia um fervor patriótico. A imprensa se sustenta com publicidade, e o pessoal tinha receio de ser percebido como antipatriótico – o que naqueles dias era o mesmo que ser anti-Bush – e acabar financeiramente punido, com os anunciantes debandando. O comediante Bill Maher fez uma brincadeira em seu programa na rede ABC, dizendo que os terroristas podiam ser chamados de tudo, menos de covardes, e foi retirado do ar. Essa atmosfera durou uns dois anos. Terceira: os jornais, Washington Post, The New York Times, efetivamente acreditavam no governo, e, por último, os repórteres que cobriam Washington eram muito diferentes dos repórteres do meu tempo, que cobriram a Guerra do Vietnã nos anos 60. Não eram céticos."
-- Gay Talese

Gay Talese


Gay Talese.jpg
Originally uploaded by André Felipe 72

O jornalista e escritor Gay Talese, 77 anos, é uma lenda viva. Como repórter, é autor de perfis memoráveis, e ainda hoje é lembrado pelo texto que escreveu sobre Frank Sinatra, publicado pela revista Esquire em 1966. Como escritor, é autor de onze livros, alguns dos quais marcaram época, como O Reino e o Poder, sobre seu ex-jornal, o The New York Times, e A Mulher do Próximo, uma estupenda reportagem sobre a revolução sexual nos Estados Unidos. Somando o repórter ao escritor, Talese tornou-se um dos mais festejados criadores do "novo jornalismo" – que investiga com as ferramentas de repórter e relata com os recursos literários de escritor. Já ganhou uns 10 milhões de dólares com seus livros e mora numa bela townhouse no elegante East Side de Manhattan. Está escrevendo agora sobre seu casamento de cinquenta anos com Nan, respeitada editora de livros. Em julho, Talese planeja visitar a Festa Literária Internacional de Paraty, para promover Vida de Escritor, lançado há pouco no Brasil, mas nem de longe seu melhor trabalho.

ProUni, Cotas, Ação Afirmativa, Democracia, Meritocracia?


Bursting with People, Black and White
Originally uploaded by Operator No. 9

ELIO GASPARI
A cota de sucesso da turma do ProUni
Os pobres que entraram nas universidades privadas deram uma aula aos demófobos do andar de cima
A DEMOFOBIA pedagógica perdeu mais uma para a teimosa insubordinação dos jovens pobres e negros. Ao longo dos últimos anos o elitismo convencional ensinou que, se um sistema de cotas levasse estudantes negros para as universidades públicas, eles não seriam capazes de acompanhar as aulas e acabariam fugindo das escolas. Lorota. Cinco anos de vigência das cotas na UFRJ e na Federal da Bahia ensinaram que os cotistas conseguem um desempenho médio equivalente ao dos demais estudantes, com menor taxa de evasão. Quando Nosso Guia criou o ProUni, abrindo o sistema de bolsas em faculdades privadas para jovens de baixa renda (põe baixa nisso, 1,5 salário mínimo per capita de renda familiar para a bolsa integral), com cotas para negros, foi acusado de nivelar por baixo o acesso ao ensino superior. De novo, especulou-se que os pobres, por serem pobres, teriam dificuldade para se manter nas escolas.Os repórteres Denise Menchen e Antonio Gois contaram que, pela segunda vez em dois anos, o desempenho dos bolsistas do ProUni ficou acima da média dos demais estudantes que prestaram o Provão. Em 2004, os beneficiados foram cerca de 130 mil jovens que dificilmente chegariam ao ensino superior (45% dos bolsistas do ProUni são afrodescendentes, ou descendentes de escravos, para quem não gosta da expressão).O DEM (ex-PFL) e a Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino foram ao Supremo Tribunal Federal, arguindo a inconstitucionalidade dos mecanismos do ProUni. Sustentam que a preferência pelos estudantes pobres e as cotas para negros (igualmente pobres) ofendiam a noção segundo a qual todos são iguais perante a lei. O caso ainda não foi julgado pelo tribunal, mas já foi relatado pelo ministro Carlos Ayres Britto, em voto memorável. Ele lembrou um trecho da Oração aos Moços de Rui Barbosa: "Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real".A "Oração aos Moços" é de 1921, quando Rui já prevalecera com sua contribuição abolicionista. A discussão em torno do sistema de acesso dos afrodescendentes às universidades teve a virtude de chamar a atenção para o passado e para a esplêndida produção historiográfica sobre a situação do negro brasileiro no final do século 19. Acaba de sair um livro exemplar dessa qualidade, é "O jogo da Dissimulação - Abolição e Cidadania Negra no Brasil", da professora Wlamyra de Albuquerque, da Federal da Bahia. Ela mostra o que foi o peso da cor. Dezesseis negros africanos que chegaram à Bahia em 1877 para comerciar foram deportados, apesar de serem súditos britânicos. Negros ingleses negros eram, e o Brasil não seria o lugar deles.A professora Albuquerque transcreve em seu livro uma carta de escravos libertos endereçada a Rui Barbosa em 1889, um ano depois da Abolição. Nela havia um pleito, que demorou para começar a ser atendido, mas que o DEM e os donos de faculdades ainda lutam para derrubar:"Nossos filhos jazem imersos em profundas trevas. É preciso esclarecê-los e guiá-los por meio da instrução".A comissão pedia o cumprimento de uma lei de 1871 que prometia educação para os libertos. Mais de cem anos depois, iniciativas como o ProUni mostraram não só que isso era possível mas que, surgindo a oportunidade, a garotada faria bonito.
Folha de São Paulo, 17/06/09